É engraçado! Há coisas que nunca conseguiremos explicar. Ou não temos argumentos suficientes ou sentimos um qualquer substantivo abstracto que ainda não tem designação, que não conhecemos. Em criança sentimos assim. Tudo surge do nada, tudo é novo, tudo é uma descoberta. Era isso que eu sentia em criança. Vou explicar-vos.
Em criança éramos sempre cinco. Cinco nas férias do natal. Cinco nas férias do Carnaval. Cinco nas férias da Páscoa. Cinco nas férias do Verão. Cinco nos sonhos de cada um. Éramos os cinco felizes que com calmos olhares dizíamos olá quando nos encontrávamos. Falo de mim, da minha irmã, da minha meia-irmã e dos nossos dois primos gémeos (verdadeiros).
A nossa meia-irmã já existia, ela tinha vindo com o nosso pai. Ele ficou com ela depois da sua primeira esposa ter morrido no parto. Portanto ela devia ter um ano quando nasci. A minha irmã veio quando eu tinha um ano de idade. Portanto, desde que me lembro, desde que tenho memória, estávamos os três lá em casa. Vivíamos em Braga.
Os nossos primos tinham a mesma idade que eu. Viviam em Faro. Mais não sei.
Nós encontrávamo-nos sempre no prédio do nosso avô, em Lisboa. Era um prédio velho mas bonito. Gostávamos todos de nos juntar lá em qualquer uma das férias. O sótão era o nosso sítio preferido, e era aí que nos sonhos nos encontrávamos.
Lembro-me do ano em que tínhamos todos entre os sete e os dez anos. Éramos crianças normais para essa idade. Tínhamos um feitio semelhante. Curiosos, traquinas, malandros e inocentes. Tínhamos as características necessárias para nos deslumbrar com tudo o que de novo surgia à nossa frente.
A curiosidade permitia-nos ir em busca das coisas novas, perguntar porquê e ficarmos baralhados. A traquinice e a malandrice permitiam-nos divertir enquanto aprendíamos. A inocência, a mais importante de todas, fazia-nos deslumbrar e vibrar com as palavras, os significados e os conceitos descobertos. Porque tudo o que nos rodeia não passa disso mesmo: palavras, significados e conceitos.
E descobríamos isso tudo nos baús, nos livros, nos quadros, nas roupas velhas e nas mobílias desmanchadas, que se amontoavam no sótão do avô.
Hoje, estamos todos em Lisboa. Cada um no seu andar e sem sótão. Já não temos nada para nos deslumbrar nem temos vontade de procurar. Por isso é que somos diferentes do éramos em crianças. Já não temos os mesmos feitios e estamos totalmente moldados pelo meio que nos foi envolvendo.
Às vezes, ainda me encontro com eles no sótão do avô, em sonhos, e é aí que me deslumbro mais uma vez. Afinal a beleza da infância reside nisso mesmo, na capacidade da memória e do sonho.
Podemos já não ser o que fomos em crianças, mas o que fomos ainda está dentro de nós.
quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
domingo, 27 de Julho de 2008
Gorro azul
O meu avô tinha um gorro azul. Ficava-lhe bem. A barba dele também. Tinha ar de ser um lobo do mar, apesar de ser apenas um pescador de fim-de-semana, como ele costumava dizer. Isso e poeta. Lembro-me bem, um dia que estávamos nas rochas junto ao mar, com ele a preparar os anzóis, (escolhendo, no fim de contas, sempre o mesmo, o "Cavalo-Marinho Azul Celeste" como lhe chamava), com as ondas bravas a bater de tempos a tempos e fazer-me uma pergunta que tantas vezes fazia:
- André, o que vez quando olhas para o mar?
Tinha eu os meus 7 anos e dois meses quando perguntou a primeira vez. E eu lá dizia, vejo água.
- E mais?
Vejo a linha do horizonte.
- Mais nada?
O céu?
Fazia o olhar de professor preocupado, porque o seu aluno não tinha percebido bem a pergunta. Pois, já tinha dito que ele era poeta não era?
Vejo a imensidão da vida humana, vejo o fim inalcansável, a divisão do céu e da terra naquele risco sem cor, o futuro das nossa vidas...
- Muito bonito.
Passado uns segundos, perdia o sorriso do rosto.
- Agora, diz a verdade.
E eu dizia, que na verdade só via o que ali estava, água, céu, às vezes nuvens, um barco que passava, só isso.
- André, porque é que eu te pergunto isto?
Foi a primeira vez que ele fez esta pergunta. Realmente, não tinha lógica. Então eu dizia-lhe a verdade, depois mentia para lhe agradar, e depois dizia a verdade outra vez?
- Lição nº 1: não digas mentiras só porque alguém te obriga. Aliás, nunca digas mentiras.
E deu uma gargalhada.
Com estas suas perguntas estranhas, que eu gostava, no fundo, de responder, lá me ia ensinando umas coisinhas que vieram a ser úteis no decorrer dos anos. Houve um, no entanto, que me marcou profundamente:
- André, tenho uma coisa a dizer-te.
Levantou-se e parou de pescar. Passou-me a cana para a mão, tirou o gorro da cabeça e disse:
- Sabes o que dizia a tua avó quando olhava para o mar?
Tinha doze anos quando ela morreu. Tinha já dezassete naquele dia que o meu avô contou aquilo.
- Dizia poesia. Dizia que o mar precisava de tocar o céu assim com o ser humano precisava de amor.
Deixou escapar umas lágrimas. Sorriu e disse:
- Precisam de se tocar. Existirem os dois próximos uns de outro, queria ela dizer. Bonito, não é?
Disse que sim. Era simples e bonito. E então o meu avô, o homem que não era lobo do mar, mas poeta, disse aquela frase que nunca mais vou esquecer.
- Viver sem amor é apenas existir.
Deu uma grande gargalhada, arrumou a tralha toda e voltamos a casa.
Quando olho para a minha mulher, os meus filhos e os meus amigos nos dias que correm, também eu solto uma gargalhada.
- André, o que vez quando olhas para o mar?
Tinha eu os meus 7 anos e dois meses quando perguntou a primeira vez. E eu lá dizia, vejo água.
- E mais?
Vejo a linha do horizonte.
- Mais nada?
O céu?
Fazia o olhar de professor preocupado, porque o seu aluno não tinha percebido bem a pergunta. Pois, já tinha dito que ele era poeta não era?
Vejo a imensidão da vida humana, vejo o fim inalcansável, a divisão do céu e da terra naquele risco sem cor, o futuro das nossa vidas...
- Muito bonito.
Passado uns segundos, perdia o sorriso do rosto.
- Agora, diz a verdade.
E eu dizia, que na verdade só via o que ali estava, água, céu, às vezes nuvens, um barco que passava, só isso.
- André, porque é que eu te pergunto isto?
Foi a primeira vez que ele fez esta pergunta. Realmente, não tinha lógica. Então eu dizia-lhe a verdade, depois mentia para lhe agradar, e depois dizia a verdade outra vez?
- Lição nº 1: não digas mentiras só porque alguém te obriga. Aliás, nunca digas mentiras.
E deu uma gargalhada.
Com estas suas perguntas estranhas, que eu gostava, no fundo, de responder, lá me ia ensinando umas coisinhas que vieram a ser úteis no decorrer dos anos. Houve um, no entanto, que me marcou profundamente:
- André, tenho uma coisa a dizer-te.
Levantou-se e parou de pescar. Passou-me a cana para a mão, tirou o gorro da cabeça e disse:
- Sabes o que dizia a tua avó quando olhava para o mar?
Tinha doze anos quando ela morreu. Tinha já dezassete naquele dia que o meu avô contou aquilo.
- Dizia poesia. Dizia que o mar precisava de tocar o céu assim com o ser humano precisava de amor.
Deixou escapar umas lágrimas. Sorriu e disse:
- Precisam de se tocar. Existirem os dois próximos uns de outro, queria ela dizer. Bonito, não é?
Disse que sim. Era simples e bonito. E então o meu avô, o homem que não era lobo do mar, mas poeta, disse aquela frase que nunca mais vou esquecer.
- Viver sem amor é apenas existir.
Deu uma grande gargalhada, arrumou a tralha toda e voltamos a casa.
Quando olho para a minha mulher, os meus filhos e os meus amigos nos dias que correm, também eu solto uma gargalhada.
quarta-feira, 12 de Março de 2008
(Sem título)
- Quem és tu?
- …
- Quem és tu, escondida na multidão?
- …
- Tez branca, branca igual a cal,
Branca de cansaço, Branca de morte.
Caminhas sozinha,
Por entre fantasmas,
Confundes-te com eles,
Mas és mais triste…
- Mas quem és tu? Algum dia o dirás?
- Não, nem eu própria o sei…Acho que nunca o saberei.
- …
- Quem és tu, escondida na multidão?
- …
- Tez branca, branca igual a cal,
Branca de cansaço, Branca de morte.
Caminhas sozinha,
Por entre fantasmas,
Confundes-te com eles,
Mas és mais triste…
- Mas quem és tu? Algum dia o dirás?
- Não, nem eu própria o sei…Acho que nunca o saberei.
29 - 05 -07
Condição Humana I
Sentir-me assim
É sentir nada.
E Nada
É ter um vazio.
Um vazio, Este vazio,
Percorre-me,
Percorre-te,
E percorre-nos!
Mata-nos!
E Mata-me…
Permanece em mim,
E em mim fica.
Mas mata-me,
Mata-me,
Mata-me!
Agora, Agora sou Nada!
É sentir nada.
E Nada
É ter um vazio.
Um vazio, Este vazio,
Percorre-me,
Percorre-te,
E percorre-nos!
Mata-nos!
E Mata-me…
Permanece em mim,
E em mim fica.
Mas mata-me,
Mata-me,
Mata-me!
Agora, Agora sou Nada!
26 - 06 - 06
segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008
Nevoeiro
Era uma floresta antiga que servia de paisagem àcaminhada da rapariga. Subia com cuidado, passando os ténis por cima das raízes traiçoeiras das àrvores. O nevoeiro, naquela hora do dia, que era tarde, parecia uma nuvem que caía do céu invisível, causando arrepios. Ouviam-se também alguns pardais, sobrevoando com a sua melodia um ponto distante, à esquerda. A rapariga tinha um brilho nos olhos; não sorria, mas via-se naquele olhar a sua satisfação pelo ambiente místico que a envolvia. O cheiro da terra e das folhas mortas tornava-se mais activo devido à humidade que ia assentando.
Quando chegou a solo plano, parou. Fechou os olhos. Pouco depois, alguém chamou. Abriu os olhos e procurou à volta. Nada. Mais uma vez ouviu o seu nome ser pronunciado. Mais uma vez não encontrou ninguém. Foi então que viu uma porta de madeira muito velha, coberta de heras. Empurrou-a, e deu consigo num jardim onde a luz do sol entrava. Viu um pequeno riacho, correndo naquele jardim secreto; corriam também dois esquilos, esgueirando-se para uma fenda num tronco grosso. No chão brilhavam papoilas vermelhas. Finalmente a rapariga sorriu. E ouviu a velha porta ranger. Antes de se puder virar, tinha os olhos cobertos por umas mãos que conhecia bem. "Achei que ias gostar", sussurrou uma voz masculina, ao seu ouvido direito, "Parabéns". A rapariga voltou-se e beijou o rapaz alto, que respondeu envolvendo-a nos braços.
"Temos de ir, os teus pais já devem ter o jantar surpresa pronto. Ups" riu o rapaz. Ela também riu. "Será que fazem este ano outra vez?", retorquiu a rapariga, num tom irónico, "Vamos".
Quando sairam pela porta do jardim, não encontraram mais nevoeiro.
Quando chegou a solo plano, parou. Fechou os olhos. Pouco depois, alguém chamou. Abriu os olhos e procurou à volta. Nada. Mais uma vez ouviu o seu nome ser pronunciado. Mais uma vez não encontrou ninguém. Foi então que viu uma porta de madeira muito velha, coberta de heras. Empurrou-a, e deu consigo num jardim onde a luz do sol entrava. Viu um pequeno riacho, correndo naquele jardim secreto; corriam também dois esquilos, esgueirando-se para uma fenda num tronco grosso. No chão brilhavam papoilas vermelhas. Finalmente a rapariga sorriu. E ouviu a velha porta ranger. Antes de se puder virar, tinha os olhos cobertos por umas mãos que conhecia bem. "Achei que ias gostar", sussurrou uma voz masculina, ao seu ouvido direito, "Parabéns". A rapariga voltou-se e beijou o rapaz alto, que respondeu envolvendo-a nos braços.
"Temos de ir, os teus pais já devem ter o jantar surpresa pronto. Ups" riu o rapaz. Ela também riu. "Será que fazem este ano outra vez?", retorquiu a rapariga, num tom irónico, "Vamos".
Quando sairam pela porta do jardim, não encontraram mais nevoeiro.
quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
No campo
Está muito calor. É sempre assim por estas bandas. Eu não trabalho. Faço um bocado, canso-me depois aborreço-me, divago com esta cabeça oca, que oca está. O meu irmão lá está, a suar para a terra, que não amolece com esse suor, é má a terra, goza contigo mas tu continuas, és casmurro, és persistente na verdade. Os meus tios admiram-me, tenho grandes valores, tão grandes que não cabem na cabeça oca, por isso carrego-os na língua. Falo muito e bem, digo as verdades, não consigo ser muito humilde com este dom tão grande. Mas da língua, os pensamentos não se espalham para o meu corpo. Por isso desisto de tudo a meio. Tu, irmão, és um parvo, não mexas mais nessa terra, que só te quer mal, não dá àrvores nem bichos sequer.
Sou mais velho agora. A cidade, irmão, que burro, nem o mar viste, nem sabes o que é um prédio, tenho pena em seres assim.
A minha mulher é linda, claro, tal como eu, só um dos meus filhos me lembra o meu irmão, coitado, coitado dos dois, mas o meu filho é esperto, sabe falar como o pai. Às vezes vejo-o, o meu filho, o meu irmão nem por isso. Está lá no campo, imbecil, dia e noite, noite e dia, a mulher amava-o e morreu nova, doente, e ele não quis sair de lá, vida miserável. Sim, querida, o nosso filho vai entrar na melhor escola, eu falo com o director, não te preocupes. Um beijo doce, mas o teu perfume parece o de outro homem, não te rales, também eu te troco de vez em quando. Oh filho, queres um pai? Mas já te fiz, que queres mais? Faz-te um homem, faz o que queres, pus-te na universidade, mas tu não queres saber, parvo, pareces o cretino do teu tio. Vais para onde? Para o campo? Não és meu filho, mas vai, míudo parvo, dá-me só essas roupas que fui eu que paguei por elas. Divórcio? Finalmente, miserável, a loira do outro dia diverte-me mais, e posso ter as que queira.
Morreste novo, eras um fraco, até o meu filho chora por ti, vergonha, ter o mesmo sangue que vocês, sangue que veio desta terra, daquela àrvore ali, do rio onde caí e tu me vieste ajudar, idiota, eu não preciso de ajuda, enervas-me, não percebes a vida, que o mundo gira e nós temos de girar com ele.
Porra, agora em velho tormentas mais a minha alma, o meu filho ficou nas tuas terras, e elas já dão fruto, amaldiçoadas sejam, esse teu olhar que me perssegue, tão mau como os olhares que já não tenho dos meus amigos, pulhas, nem o meu nome sabiam.
Inspiro, é o mesmo ar, ou parecido, parece mais são, é o ar da vida, desta terra que floresce, do campo em que tu e o meu filho trabalharam, bom trabalho, engulo o meu orgulho, preciso de um copo de água para o empurrar, o meu filho deixa-me ficar na casa que era a tua, que já foi minha. Deito-me e choro, sou um fraco agora, como tu eras, um estúpido. Sou muito velho, o meu filho quase chora também, dá-me a mão e sabe que eu saio dali daqui a pouco. Só mais um pouco, por favor, só mais um pouco...
Sou mais velho agora. A cidade, irmão, que burro, nem o mar viste, nem sabes o que é um prédio, tenho pena em seres assim.
A minha mulher é linda, claro, tal como eu, só um dos meus filhos me lembra o meu irmão, coitado, coitado dos dois, mas o meu filho é esperto, sabe falar como o pai. Às vezes vejo-o, o meu filho, o meu irmão nem por isso. Está lá no campo, imbecil, dia e noite, noite e dia, a mulher amava-o e morreu nova, doente, e ele não quis sair de lá, vida miserável. Sim, querida, o nosso filho vai entrar na melhor escola, eu falo com o director, não te preocupes. Um beijo doce, mas o teu perfume parece o de outro homem, não te rales, também eu te troco de vez em quando. Oh filho, queres um pai? Mas já te fiz, que queres mais? Faz-te um homem, faz o que queres, pus-te na universidade, mas tu não queres saber, parvo, pareces o cretino do teu tio. Vais para onde? Para o campo? Não és meu filho, mas vai, míudo parvo, dá-me só essas roupas que fui eu que paguei por elas. Divórcio? Finalmente, miserável, a loira do outro dia diverte-me mais, e posso ter as que queira.
Morreste novo, eras um fraco, até o meu filho chora por ti, vergonha, ter o mesmo sangue que vocês, sangue que veio desta terra, daquela àrvore ali, do rio onde caí e tu me vieste ajudar, idiota, eu não preciso de ajuda, enervas-me, não percebes a vida, que o mundo gira e nós temos de girar com ele.
Porra, agora em velho tormentas mais a minha alma, o meu filho ficou nas tuas terras, e elas já dão fruto, amaldiçoadas sejam, esse teu olhar que me perssegue, tão mau como os olhares que já não tenho dos meus amigos, pulhas, nem o meu nome sabiam.
Inspiro, é o mesmo ar, ou parecido, parece mais são, é o ar da vida, desta terra que floresce, do campo em que tu e o meu filho trabalharam, bom trabalho, engulo o meu orgulho, preciso de um copo de água para o empurrar, o meu filho deixa-me ficar na casa que era a tua, que já foi minha. Deito-me e choro, sou um fraco agora, como tu eras, um estúpido. Sou muito velho, o meu filho quase chora também, dá-me a mão e sabe que eu saio dali daqui a pouco. Só mais um pouco, por favor, só mais um pouco...
segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Poema do tempo
Cedo me perdia,
Os ponteiros do relógio avançavam,
E o tempo corria.
Procurei quem cantava,
Naquela esquina vazia,
E o relógio avisava.
Era alegria na voz,
Parecia ser ela,
Escondida na chuva,
Figura do tempo,
O sopro, vagaroso,
Chamou bem perto,
Perdeu-se num tento.
De pé, a paisagem mudou,
Entre o cinza e o azul,
E o relógio parou.
Os ponteiros do relógio avançavam,
E o tempo corria.
Procurei quem cantava,
Naquela esquina vazia,
E o relógio avisava.
Era alegria na voz,
Parecia ser ela,
Escondida na chuva,
Figura do tempo,
O sopro, vagaroso,
Chamou bem perto,
Perdeu-se num tento.
De pé, a paisagem mudou,
Entre o cinza e o azul,
E o relógio parou.
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